ELEIÇÕES 2014: A SEGURANÇA PÚBLICA E O ENIGMA DA ESFINGE



Na tragédia grega Édipo-rei, escrita por Sófocles, a Esfinge, um monstro mitológico, propõe a Édipo um enigma, proferindo logo após a famosa frase: “Decifra-me ou devoro-te”. Édipo consegue a solução para a charada e vence o monstro, que cai morto.

Édipo e a esfinge
Tal caso lembra o atual cenário político do Brasil, em tempos de eleição. É inevitável a passagem pela esfinge da(in)segurança pública e não resolver seus enigmas é assinar a própria sentença de ser “devorado” politicamente.

Ocorre que tal solução não vem através de uma única resposta iluminada ou por adivinhação. A experiência mostra ainda que não é recomendável adotar medidas mirabolantes ou imediatistas, cuja tendência é transformar a complexa questão em uma guerra “do bem contra o mal”, numa visão meramente militar-belicista e populista. Também não irão funcionar discursos evasivos, que afirmam a violência urbana como um problema apenas relacionado à pobreza e que pode ser resolvido unicamente com políticas de redistribuição de renda, prescindindo da polícia.

Assim, para resolver esse enigma, é necessário ouvir a multidão de vozes que fazem parte do sistema, com vistas a transformá-lo em algo melhor. Policiais de todos os níveis, acadêmicos, e especialmente as comunidades devem ser consultados e suas respostas consideradas, a fim de que todos sejam partes ativas da solução. Afinal de contas, a nossa Constituição Federal afirma em seu artigo 144 que a Segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. 

Caso contrário, a adoção de soluções verticalizadas e monocráticas implicará em erro e veremos, mais uma vez, a esfinge da (in)segurança pública devorando nossas esperanças.

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Um comentário to ''ELEIÇÕES 2014: A SEGURANÇA PÚBLICA E O ENIGMA DA ESFINGE"

Comentarios
  1. Realmente “ouvir esta multidão de vozes” seria algo extremamente válido, seguindo assim a orientação de Carlos Matus* que é a identificação e análise aprofundada dos atores envolvidos numa situação problemática, em busca da compreensão sobre os interesses, o modo de pensar e de agir de cada ator em relação ao problema, a fim de se tomar ações mais eficazes no jogo social (Matus, 1997). Matus sugere assim a apreciação situacional como chave para entender os atores e suas interpretações da realidade, pois a realidade não poderia ser explicada por uma simples descrição, um diagnóstico, mas por diferentes interpretações provenientes dos diversos atores envolvidos (Huertas, 1996).

    *Carlos Matus Romo nasceu no Chile em 1931. Formou-se, em 1955 na Escola de Economia da Universidade do Chile. Desempenhou funções como assessor do Ministro da Fazenda e como Ministro da Economia do Governo do Presidente Salvador Allende de 1965 a 1970, tendo sido o maior estudioso da América Latina e um dos maiores do mundo, sobre planejamento estratégico de governo, capacidade de governo, governabilidade, estilos estratégicos de governo, entre outros assuntos.

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